MORTO COM 13 FACADAS NAS ELEIÇÕES 20218

 

Na noite de 7 de outubro de 2018, dia do primeiro turno das eleições presidenciais, o mestre de capoeira Romualdo Rosário da Costa, conhecido como Moa do Katendê, de 63 anos, estava no Bar do João, em Salvador, acompanhado do irmão Reginaldo e do primo Germínio.
Moa e o irmão haviam votado em Fernando Haddad, enquanto Paulo Sérgio Ferreira de Santana, de 36 anos, que estava no mesmo local, defendia Jair Bolsonaro.
Por volta das 22h35, os dois começaram a discutir sobre política.
Segundo o relato do irmão de Moa, Paulo defendia Bolsonaro e dizia que o país precisava mudar. Reginaldo respondeu que ele era jovem e ainda não sabia muito sobre a vida.
Foi então que Moa entrou na discussão.
O mestre de capoeira teria dito a Paulo que ele não sabia pelo que eles já haviam passado e “o quanto sofri pra ter liberdade”.
A conversa ficou cada vez mais agressiva e os dois lados trocaram ofensas. O clima ficou tão tenso que o próprio dono do bar precisou intervir e pediu que Paulo tivesse cuidado, lembrando que ele estava discutindo com um homem mais velho.
Depois disso, Paulo pagou a conta e foi embora. Para quem estava no bar, a discussão havia terminado. Mas, segundo a investigação, cerca de 20 minutos depois, Paulo voltou.
E ele não voltou de mãos vazias.
Ele teria ido até sua casa, pegado uma faca tipo peixeira e retornado ao bar. Quando entrou novamente no estabelecimento, Moa estava sentado, de costas para a entrada.
Paulo se aproximou e começou a golpeá-lo.
Moa foi atingido por 13 golpes de faca, número registrado na denúncia do Ministério Público e posteriormente considerado no processo judicial.
O primo de Moa, Germínio, tentou impedir o ataque e também foi atingido. Ele sofreu uma facada profunda no braço direito, mas sobreviveu.
Moa, porém, não resistiu.
O mestre de capoeira morreu em consequência dos ferimentos.
Depois do assassinato, Paulo chegou a apresentar outra versão sobre o que havia acontecido. Em entrevista, afirmou que a discussão teria sido motivada por futebol e alegou que Moa o havia ofendido.
Mas essa versão entrou em contradição com os depoimentos reunidos pela investigação.
Oito testemunhas relataram que a discussão havia sido sobre política, envolvendo as posições de Moa e Paulo em relação à eleição presidencial.
Em 2019, Paulo Sérgio Ferreira de Santana foi condenado a 22 anos de prisão pelo assassinato de Moa do Katendê. A condenação considerou o homicídio duplamente qualificado, por motivo fútil e pela impossibilidade de defesa da vítima.
Tudo começou com uma discussão sobre uma eleição.

Terminou com 13 golpes de faca contra um homem de 63 anos que estava sentado de costas para o agressor.
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